sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

QUANDO FOI QUE PERDEMOS O RUMO?

Futebol. Provavelmente é o esporte mais emocionante e popular do mundo. Esporte esse que o Brasil é o mais famoso representante. Nada mais justo. Afinal de contas, da onde saíram craques como Pelé, Garrincha, Gérson, Rivelino, Zico, Sócrates, Romário, Ronaldo e por aí vai? Muitos dirão que nenhum país revelou tantos monstros para o esporte como o Brasil, e é verdade. Muitos dirão que nunca houve um país tão arrogante, prepotente e corrupto na história do futebol, e também é verdade. Mas uma coisa é certa, desde que o mundo é mundo, o futebol mais bem jogado do planeta sempre foi o futebol jogado aqui. Perdemos muitas vezes, mas em compensação ganhamos mais do que todo mundo. E mesmo quando perdemos, perdemos com identidade, com honra, com cara de futebol brasileiro. Não é mais assim. Depois de pensar e pesquisar durante algum tempo, cheguei a uma conclusão. Não temos o melhor futebol do mundo faz tempo. Por mais imbecil que isso possa parecer sendo dito dessa maneira, parecendo que eu acabei de descobrir a pólvora, não é tão simples assim. A cultura brasileira é de se direcionar pelo resultado. Ganhou é bom. Perdeu é uma merda. Não é por aí. Ganhamos em 94 e aquela seleção era uma merda. Perdemos em 82 e aquele time era fantástico. Durante muito tempo tivemos o melhor futebol do mundo mas isso se perdeu. Porque? Alguma coisa aconteceu pra que perdêssemos a nossa hegemonia e o que aconteceu foi uma mudança de mentalidade. E pra explicar melhor o que aconteceu nessa bagaça, vou precisar voltar um pouco no tempo. Já aviso logo que o papo é longo e o assunto é polêmico. Quem estiver sem saco, recomendo que pare por aqui. Aos outros, sigam-me os bons!

- O DESASTRE DO SARRIÁ: Copa de 1982, Itália 3 x 2 Brasil.

Aqui está, Sras e Srs. O motivo de o futebol brasileiro ter se transformado nessa merda. Essa derrota pra Itália foi considerada uma tragédia. O troço foi tão feio, a decepção por perder aquela Copa foi tão grande, que nesse dia nasceu no Brasil o famoso futebol de resultados. Imaginem o papo pelas ruas: "Se não dá pra ganhar jogando bonito, vamos ganhar jogando feio mesmo. Vamos ganhar nem que seja na marra. Ora, montamos um timaço, cheio de craques, damos um show memorável e mesmo assim perdemos a Copa praquele timezinho vagabundo da Itália? Aí não dá, paciência tem limites! Precisamos de uma zaga forte! Perdemos porque o time era ofensivo demais, e blá, blá, blá..." Pronto, nasceu a criança. Nós mesmos criamos o monstro que alguns anos depois iria nos engolir. Por causa de uma derrota, pegamos toda a nossa mentalidade e forma de ver futebol e jogamos no lixo. É a maldita mania de se direcionar pelo resultado. Trocamos o nosso futebol de habilidade, técnica e toque de bola pelo estilo Europeu de velocidade, força e contra-ataques. A medida em que o tempo foi passando, os jogadores habilidosos e técnicos, principalmente de meio de campo, foram ficando cada vez mais raros. Até chegarmos ao ponto de ver a seleção brasileira entrar em campo com quatro volantes. O Zico deu uma entrevista há alguns anos, dizendo que hoje em dia ele não passaria em uma peneira do Flamengo. Porque hoje os técnicos querem jogadores altos e fortes nos seus times. Um cara de estatura mediana e franzino como o Zico não teria a menor chance. Uma coisa leva a outra e o resultado disso é que o Brasil de hoje não sabe mais atacar. Nem os clubes nem a seleção. E também não é difícil entender porque. Adotando uma postura defensiva, pra explorar os contra-ataques em velocidade, o futebol brasileiro quando não é atacado se enrola todo. Não consegue furar o bloqueio defensivo do adversário nem com reza. E nem poderia, vai furar uma retranca como, se os nossos Zicos não são mais aprovados nas peneiras do Brasil? A sorte é a mais sacana de todas as putas. Você nunca sabe quando ela vai te abandonar e cair no colo de outro. Esperar que um Júlio Baptista vá acertar uma bicanca na gaveta todo jogo é dose, né mano? Os outros times do mundo (a exceção de um ou outro) sempre jogaram no contra-ataque por pura falta de opção. Falta habilidade, falta talento. Não dá mesmo pra tomar a iniciativa do jogo sem isso. Não é o caso do futebol brasileiro. Habilidade e talento sempre tivemos de sobra. Cometemos um erro estratégico imperdoável. Copiamos o que os Europeus tinham de pior, o defensivismo. E como nunca tivemos a competência deles pra marcar, acabamos ficando sem uma coisa nem outra.

- LA MASIA: A Escola Azul-Grená.

Hoje o maior time do mundo é o Barcelona. Disso provavelmente ninguém duvida. Mas o que pouca gente sabe, é que a escola barcelonista de futebol começou no final da década de 70 com Johan Cruyff. O craque holandês levou para o Barcelona o estilo de jogo do Ajax, onde os jogadores não tinham posição fixa e todos jogavam com a bola no pé. O "Carrossel Holandês" tinha encantado o mundo nas Copas de 74 e 78 e a base daquele time era o Ajax. De lá pra cá, o Barça deu suas cabeçadas. Quando jogava "à moda Barça', dava show. Quando inventava moda, entrava pelo cano. Depois de alguns anos insistindo em copiar o Real Madrid (fazendo contratações de zilhões de dólares ao invés de priorizar a base, tava na cara que não ia prestar, em matéria de grana não dá pra competir com o Real Madrid), o Barça tomou vergonha na cara e resolveu apostar no "futebol total" implementado por Cruyff anos antes. Corria o ano de 2003 e nessa época, na entrada do famoso "La Masia" (centro de treinamento dos garotos da base) tinha uma placa onde estava escrito: "Se você tiver menos de 1,80m, nem precisa passar daqui". Todos aqui sabem que a altura do atual camisa 10 do Barça não chega nem perto disso, então nem preciso dizer que essa placa foi jogada no lixo. Aliás, dos grandes craques desse time do Barça, nenhum deles tem os 1,80m estipulados pela tal plaquinha sem vergonha. Se fosse por ela, o Barcelona estaria até hoje só tomando cacetada do Real Madrid. O trabalho feito em La Masia é tão profissional, que lá é proibido falar em ganhar campeonato. Os garotos aprendem a forma de jogar do Barça, aprendem que futebol é um jogo coletivo acima de tudo. Se vão ganhar ou perder, não interessa. O que interessa é se os garotos vão chegar ao time profissional preparados pra entrar em campo e arrebentar. O resto é conversinha. Esse grande trabalho, como não podia deixar de ser, reflete na seleção espanhola. A Espanha campeã do mundo de 2010 tem como base jogadores do Barcelona e do Real Madrid. São 7 do Barça e 4 do Madrid. A maioria desses meninos jogam juntos desde os 10, 12 anos. É claro que isso faz uma tremenda diferença. E se pensarmos bem, o resto do mundo ainda pode se considerar com sorte. A Espanha já ganhou a última Copa com facilidade. Se o Messi não tivesse inventado jogar pela Argentina e tivesse se naturalizado espanhol, a Espanha teria ganhado aquela porcaria mais rápido do que o Tj é capaz de peidar.

- E NO BRASIL...

O Brasil é mesmo um país afortunado. Isso aqui é um celeiro de craques tão impressionante, que conseguimos ganhar duas Copas do Mundo só na base do talento do Romário (94), e no do Ronaldo e do Rivaldo (2002). Vejam que a Holanda nunca conseguiu ganhar uma vez sequer. É o caso de se imaginar o que não seríamos capazes de fazer se tivéssemos um trabalho decente feito por aqui, não? De qualquer maneira, isso já faz muito tempo. O último grande trabalho feito pela seleção foi em 82 com Telê Santana, provavelmente o último dos grandes técnicos. Vai fazer 30 anos daqui a alguns dias. O Brasil precisa retomar urgentemente a filosofia que se perdeu lá atrás. A sapatada que o Santos levou do Barcelona nesse mundial de clubes é só um dos exemplos. O desempenho do time brasileiro foi ridículo. Os caras estavam tão perdidos em campo que pareciam um bando de pernetas em um concurso de chutar bundas. Tive dó do traseiro deles. Mais desanimador ainda foi ouvir o Pep Guardiola dizer na entrevista coletiva que apenas fez o time dele fazer o que os times brasileiros faziam tão bem. Tocar a bola. Não sou santista, mas essa doeu até em mim. Não sei como faremos pra resgatar a nossa filosofia de jogo. Só sei que isso precisa ser feito e rápido. A Copa de 2014 está aí. E do jeito que a coisa vai, estamos arriscados a passar o maior vexame da paróquia. Ou alguém acha que o Brasil tem alguma chance contra Espanha, Alemanha, Holanda e mais alguns? Até a seleção do Uruguai é melhor do que a do Brasil. Eles já chutaram a nossa cara uma vez em 50 e aposto que chutarão de novo, se tivermos o azar de cruzar o caminho deles. Já passou da hora de discutir o futebol brasileiro com seriedade e profissionalismo. Ao invés de evoluir nos últimos 30 anos, nós regredimos. Conseguimos ficar piores. Mesmo com toda a tecnologia que temos hoje à disposição. Isso é uma vergonha. O Natal está chegando e dessa vez não vou pedir títulos pro São Paulo. Isso o Tricolor consegue sozinho. Esse ano eu só quero o futebol brasileiro de volta. Só quero o meu futebol de habilidade, técnica e bola de pé em pé de volta. Pro inferno com essa bolinha mequetrefe que nós temos jogado. Precisamos mandar o pangaré do Mano Menezes de volta pra Porto Alegre. Precisamos mandar o corrupto do Ricardo Teixeira de volta para o inferno. Precisamos de gente que preste no meio de campo desse time. Precisamos resgatar o amor do povo pela seleção brasileira, perdido de tanto a CBF botar o time pra jogar em Londres. Precisamos extinguir a CBF pra sempre e levar todo mundo que trabalha naquela merda em cana. Precisamos voltar a ser o que sempre fomos. Precisamos voltar a ser temidos. Precisamos voltar a jogar futebol. É, precisamos de muita coisa pra 2014. E temo que não tenhamos mais tempo...


p.s: Feliz Natal e Feliz Ano Novo a todos os leitores do blog. Estarei de volta por aqui em algum momento em janeiro de 2012. Fiquem com Deus e aquele abraço!!!

domingo, 4 de dezembro de 2011

JOGAÇOS, CONFUSÕES, LAMBANÇAS E MUITA EMOÇÃO. ESSE É O CAMPEONATO BRASILEIRO DE 2011!!!

Parada decidida. Título na mão do Timão. Vasco vice campeão. Deu a lógica. Nessas horas, a vantagem do empate faz diferença demais. E acabou ficando tudo como estava. Mas os dois tem muitos motivos para comemorar. Senão, vejamos:

Vasco da Gama:

Não há motivo pra torcida vascaína ficar triste nesse fim de ano. Foi um ano fantástico para o Gigante da Colina. Montou um timaço. Ganhou partidas de forma heróica. Foi campeão nacional. Fez uma campanha espetacular na Copa Sul-Americana. Fez um CB mais espetacular ainda, mesmo com a vaga na Libertadores já garantida. Se tem um time de guerreiros esse ano, esse time é o Vasco da Gama. Quem não se lembra, o Vasco começou o ano de mal a pior. Fazendo uma campanha ridícula no campeonato estadual, o cruzmaltino ficou ameaçado até de ser rebaixado. Mas chegou o Ricardo Gomes e as coisas mudaram. O Vasco tomou corpo. Tomou gana. E passou a vencer, uma atrás da outra. Já era hora. O processo de apequenamento do clube era acentudado. Ao ponto que muita gente que não é vascaína, torceu para o Vasco ser campeão da Copa do Brasil. Um péssimo sinal. Quando você não incomoda ninguém, é isso que acontece. Quando seus adversários (exceção aos rivais estaduais é claro, apesar de eu conhecer muito torcedor de clubes do Rio que torceram pro Vasco) torcem por você, é porque a coisa realmente tá feia. Foi o que aconteceu ao Botafogo. E foi quase o que aconteceu com o Vasco. Até esse ano. Tudo fruto de uma gestão domoníaca de um cara chamado Eurico Miranda. O Vasco pagou caro, mas pagou e se levantou. E quando um gigante se levanta, é hora de começar a ficar preocupado. A Cruz de Malta provou que está de volta. Ano que vem, ninguém além do torcedor do Vasco, vai torcer pelo clube. Porque voltou a incomodar. E só é grande, quem incomoda. É muito melhor ser odiado pelos adversários, do que o contrário. O Gigante da Colina voltou. Ainda bem. Já estava fazendo falta.


Sport Club Corinthians Paulista:

Não há o que discutir. São 29 rodadas na liderança, num total de 38. Isso fala por si só. Se o Corinthians não é brilhante, não é um timaço, não dá show, é um time extremamente competitivo, duríssimo de ser batido e conta com um treinador, que apesar do que muita gente fala, é muito competente. E num campeonato de pontos corridos, a regularidade é imprescindível. Os erros de arbitragem sempre aconteceram e sempre acontecerão. Mas se eu fui o primeiro a jogar pedra no título de 2005, vou ser o primeiro a defender o de 2011. Esse ano foi limpo e dentro de campo. E se for por erros dos árbitros, o Corinthians foi o mais prejudicado pela arbitragem nesse final de campeonato. Dos últimos 6 jogos, 5 o alvinegro saiu no prejuízo. É lógico que o Vasco também foi prejudicado. Mas a diferença é que os erros contra o Corinthians não apareceram. Porque o time venceu essas partidas. Quando o juiz erra e o time não vence, aparece muito mais. Vira desculpa. Não teve nada disso. Ganhou o clube que melhor soube lidar com isso e mesmo nas adversidades, arrumou um forma de vencer. Lembro à vocês, que o Corinthians também soube se levantar. Perdeu o campeonato paulista levando um baile do Santos, foi eliminado de forma ridícula pelo Tolima na Libertadores, mas soube resurgir das cinzas. Sacudiu a poeria, levantou a cabeça e foi à luta. E na hora decisiva, foi o time mais regular. Só perdeu quando podia perder. E ganhou na marra na fase final, quase sempre de 1 a 0, 2 a 1. Típico título do alvinegro de maior torcida em São Paulo. Na superação, na raça, na força, no coração. Com a cara do Corinthians. Timão, campeão legítimo do CB de 2011. Que ninguém conteste. Porque o resto é chororô.

p.s: Mais do que um título, essa conquista também serve pra homenagear o Dr. Sócrates, falecido na madrugada desse domingo. Grande símbolo da Democracia Corinthiana na década de 80, o Magrão é um dos maiores, senão o maior ídolo do Clube. Essa aqui é pra ele, certamente.


* "Aqui é Corinthians!!!"
- Cacá Vendramini.

* "Aqui é Corinthians, porra!!!"
- Leandro Coelho Conceição.

* "Pra que eu vim mesmo?"
-Thiago Japiassu.

* "Maldito juiz fdp!!!"
- Mazen Tarayra.